que me ensine como resguardar palavras que nele escrevo
ou o emudecimento contigo de nossas facas em plumas,
a revigorar de um sopro todas as causas perdidas,
e a adormecer nessa dobra a vapor de cotovelo,
sem temer que deixe de fora a cauda de teu nome,
se é ela que me desce ao queixo pelo rosto,
que adivinha do mais sóbrio de pavão fémea
minha beleza de perfil em langor dourado
certos dias como um dedo que passa e fica.
Que me entrelace nos dedos um lápis branco
e venha delinear-me os olhos, que veja o que vejo.
Dias mortiços, bases de copos alagando a cozinha,
o grito dos frutos na terrina, o terraço peninsular,
as raparigas que não ouvem música
numa orquestra de silêncio dessalado.
E eu aqui no meio, num chorinho larval muito baixo,
rodeada por argolas de cebolas, translúcidos anéis,
teus milenares anéis de planeta a gravitar no quotidiano,
prostrada, de cotovelos na mesa, absorta, buraco negro,
no bruxoleio das sombras das cadeiras.
E lembrar-me que o tio chama a isto bicicletas paradas,
das que se usam na sua casa de baba, enquanto se dirige
de ferrinhos para se juntar à orquestra dos mosaicos.
Volto o olhar para o estampado do copo,
conto o tempo daqui ao fim do corredor,
do fim do corredor aqui,
reparo como o tecto vai descendo
para que fique hermeticamente fechado
o século que demora a levar a água aos lábios,
como se a mão do teu consentimento
pisasse o telhado e me viesse prensar
o pensamento num planisfério
e juntos entrássemos na gaveta
que a noite abriu às estrelas.

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