1967, ao cair do pano no azul, deixei-te a sós com as flores.
Subtraindo os cumprimentos e as fórmulas finais,
Inglaterra continuaria a ser uma ilha pequena
se comparada com os mares que o mar pudesse levar
na âncora de um morto içada por pirata de águas doces
mormente pareçam mar. É da angústia, expliquei.
Havia um suspiro próprio para esses dias
e tu não podias ouvir. Inglaterra abafava-os com os parques
e eu usava lenços nesses dias. O importante era a lua
que insistia em crescer ao contrário,
a favor da forma do nariz. Era muito importante
poder ajudar-te nesses dias a compor arranjos florais,
era a forma de me esquecer destas neurastenias
de estores baixos, mas não até ao fim. De frinchas.
Depois, poderia ir com as línguas de sogra do Carnaval
e fazer-te uma surpresa, mas não havia, nem nos chineses.
Era Dragão e Cabra e Cão também. O céu ameaçava sol,
sempre ameaçou. É por isso que quando sorrio
tu podes acreditar de novo na tua mamã,
quando te embalava e dava de mamar,
e eras o centro do mundo. É fácil agora, e sempre soubeste porquê,
falar que a Via Láctea é uma esperança que se depositou
sobre as nossas cabeças e que se choro, choro com razão.
Sou macaco, o guerreiro que viu a andorinha
na última trave do banco do jardim dizer hoje não voo.
A andorinha, obviamente que é uma mera ilusão,
uma asa partida como sete anos de espelhos.
Eu agora escrevo depressa. A telegrafia é a minha dor.
Tem muitos cortes. É paga a peso de ouro. É não nos termos.
É uma jarra de flores, 1967, pós-mortem, de pós astrais,
a fita negra de Dona Virginia e a sua palidez.
Perguntar-te com que então a tua beleza não se foi,
não irá nunca, está aí nesse papel todo rasurado
como um mapa do tesouro e uma incógnita,
um colarzinho de pérolas enfiadas, ano após ano,
pela madrinha e um triciclo contra a parede.
Ai, meu amor, que tontura, que tolices digo.
Os teus poemas ponho-os eu na parede
como uma adolescente de terceiro ciclo
portuguesa. Depois apago as luzes, ponho música,
atiro-me de costas para cima da cama e Vejo-os.
As inglesas colocariam o livro como um quadro.
Não se esqueça a nota bene de dizer por mim
que não é preciso ir às compras, há pão que chegue
e que os pintainhos fugiram todos
para o quintal da frente, os piratas. Fiquei emocionada.
Os nossos dedos também fogem para a vida.
Há 46 minutos

0 comentários:
Enviar um comentário